RECADO ATERRADOR SOBRE A TUA LIBERDADE

“ ... Digamos que tudo aquilo que sabes não seja apenas errado, mas uma mentira cuidadosamente engendrada. Digamos que tua mente esteja entupida de falsidades: sobre ti mesmo, sobre a história, sobre o mundo a tua volta, plantadas nela por forças poderosas visando a conquistar, pacificamente, tua complacência. A liberdade, nessas circunstâncias, não passa de uma ilusão, pois és, na verdade, apenas um peão num grande enredo e o teu papel o de um crédulo indiferente. Isso, se tiveres sorte. Se, em qualquer tempo, convier aos interesses de terceiros o teu papel vai mudar: tua vida será destruída, serás levado à fome e à miséria. Pode ser, até, que tenhas de morrer. Quanto a isso, nada poderá ser feito. Ah! Se acontecer de conseguires descobrir um fiapo da verdade até poderás tentar alertar as pessoas; demolir, pela exposição, as bases dos que tramam nos bastidores. Mas, mesmo nesse caso, também não terás muito mais a fazer. Eles são poderosos demais, invulneráveis demais, invisíveis demais, espertos demais. Da mesma forma que aconteceu com outros, antes de ti, também vais perder!" Charles P. Freund, Editorialista do “The Washington Post”. T.A.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O ÚLTIMO DISCURSO DE KENNEDY

7 comentários:

  1. Caro Armindo,
    Parabéns pela escolha desse belíssimo discurso de JFK. Apenas um reparo, se me permite: esse discurso foi proferido em 27 de abril de 1961 no Waldorf Astoria Hotel em Nova York, num encontro com membros da American Newspaper Publishers Association. Não é portanto o último discurso de JFK que teve lugar, em Fort Worth, Texas, na manhã do dia do seu assassinato em 22.11.63. Informações sobre esses discursos no site da Biblioteca Kennedy jfklibrary.org
    Grande abraço,
    Eulalia Moreno
    eulaliamoreno@uol.com.br

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  3. Guilherme Augusto Rodrigues26 de agosto de 2009 11:48

    Prezado Armindo,
    Já que falamos de Presidentes, poderia expor em relação ao Fernando Collor, as verdades sobre sua ascensão ao poder, bem como seu governo-pau-mandado e os motivos reais de ter sido retirado?
    Obrigado!! Abraço!
    Guilherme

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  4. Cara Eulália:
    Você está certíssima quanto ao fato em si. Afinal, além disso, Kennedy também fez um pequeno speech em Dallas, no próprio dia de sua morte.
    O título da matéria, embora chamativo e contestado com razão, tem o sentido dessa declaração ter indicado encerramento de sua carreira política e dado um ponto final na própria vida do presidente, à semelhança do que também ocorreu com Lincoln, ao começar a emitir moeda independente, sem dívida, pelo Tesouro Nacional (o “Greenback”).
    A propósito, você já reparou no filme de “Zapruder”, nesse trágico episódio, que os agentes do Serviço Secreto se afastaram claramente da limousine presidencial, antes dos tiros ? Eu visitei o local do crime e os museus lá existentes e tudo ficou muito mais claro ao vivo e em cores...
    Você também sabia que a finalidade precípua do Serviço Secreto sempre foi “proteger a moeda americana” de falsificações e “outras ameaças” (a moeda privada, do FED, é claro...) e, depois disso, então, a vida do presidente que zela por ela ?
    Será possível enxergar, por isso, alguma circularidade de “causa e efeito” nesse atentado ?
    Olho-Vivo e um abraço do aaa

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  5. Ola Armindo, tudo bem com voce?

    Que agradável surpresa receber um email seu. Gostei muito do seu Blog.
    Inteligente e de bom gosto, está dentre os meus favoritos.

    Eu pesquiso a vida do ex-presidente John Kennedy , o tema sempre me interessou desde a adolescência e cheguei hoje de manhã dos Estados Unidos onde fui acompanhar os funerais do senador Edward Kennedy que tive o prazer de conhecer em 1971 quando eu ainda era uma jovem estudante de jornalismo e o entrevistei no Capitólio. Desde então mantive sempre contacto com a sua assessoria e mais recentemente com o seu filho Patrick, deputado pelo Estado de Rhode Island onde é muito forte a emigração dos países de língua portuguesa. Também por ter vivido muitos anos em Portugal acompanho o trabalho do Congressista Kennedy com o qual mantenho relações amistosas.

    Isso tudo para dizer o quanto é agradável encontrar alguém como você que partilha desse meu interesse.
    Não achei o título da matéria chamativo, tampouco o contestei. Depois da sua explicação entendi a sutileza do que voce pretendeu dizer com aquilo.
    Realmente o ex-presidente JFK contrariou grandes interesses mas conservou sempre a mídia ao seu lado. Digam o que disserem, a mídia não se rendeu apenas ao seu charme ,a mídia entendeu que estava diante de um Homem único ao qual era necessário e imprescindível " proteger" dos grandes grupos.

    O último discurso ao ar livre proferido por Kennedy foi na manhã do dia 22 de novembro, no parque de estacionamento em frente ao hotel em Fort Worth.
    Caía uma chuva miúda, o discurso foi rápido. No interior do hotel ele foi saudado pelos políticos texanos, recebeu um chapéu de cowboy ( que se recusou a colocar) e fêz uma breve saudações prometendo a todos que na segunda feira, quando regressasse a Washington colocaria o bendito do chapéu. Desse hotel seguiram num vôo de 25 minutos para Dallas, no aeroporto organizou-se a carreata e o resto a História nos conta.

    Do discurso que Kennedy proferiria em Dallas, no Trade Mart, há uma citação que particularmente chama a atenção dos estudiosos sobre a possibilidade de que ele sabia que poderia ser vítima de um assassinato: citou Isaías, " a menos que Deus vele pela cidade , o sentinela vigia em vão". E antes disso, na noite anterior no hotel em Fort Worth ele " encenou" em frente a esposa e ao assessor Kenneth O ´Donnell como poderia ter ocorrido um assassinato naquela mesma noite quando eles chegaram ao hotel, no meio da noite e se viram envolvidos pela multidão. Essa passagem está referida no livro de William Manchester, "A Morte de um Presidente".

    Muitos foram os avisos, muitos os sinais mas Kennedy não escapou do seu destino.

    Visito todos os anos Dallas porque participo dos eventos na semana de novembro, é sempre uma forma de me manter informada sobre as novas "teorias de conspiração", desnecessárias, porque todos nós já sabemos de onde veio a Conspiração.
    A própria organização da carreata em Dallas sinalizou o Golpe de Estado " Branco" que estava a caminho: a imprensa que habitualmente ocupa um ônibus logo a seguir ao carro da escolta foi inexplicavelmente colocada dentre os últimos veículos. Daí, fotos e filmes do assassinato, apenas os feitos pelas pessoas presentes, dentre eles Zapruder, que hoje sabemos, teve o seu filme
    manipulado: algumas cenas foram trocadas para dar a a impressão de que Kennedy teria sido baleado por trás( tombando para a frente) e não de frente( a cabeça vai para trás), como Oliver Stone mostrou claramente no filme "JFK".

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  6. Continua....
    O carro de escolta seguia a limousine presidencial com 6 agentes ( quatro sentados e dois nos estribos). Todos eles, com exceção de Clint Hill (requisitado por Jacqueline para a sua escolta pessoal), tinham estado bebendo até as 7 da manhã num clube noturno de Fort Worth, o "Ceddar". Clint foi o único que reagiu aos tiros pulando do carro e protegendo Jacqueline.
    Os motociclistas foram orientados pela polícia de Dallas a permancerem longe da limousine presidencial com a desculpa de que o presidente queria ser visto.
    Só nesse raciocínio já temos o envolvimento do Serviço Secreto, mais a Polícia de Dallas. Um dos atiradores que estava atrás daquela cerca de madeira foi descrito pelas pessoas que ainda o viram, como alguém envergando o uniforme da polícia de Dallas. Nas análises sobre o assassinato ele é denominado como o " Badget Man". Militantes anti-castristas de New Orleans como Gay Banister, David Ferry, denunciados pelo promotor Jim Garrison , mafiosos como Giancana , Marcello e Carlo Traficante. Políticos americanos pró guerra do Vietnã como George Bush( pai) e Nixon, multimilionários texanos e seus interesses no petróleo e na guerra que se reuniram na noite anterior ao assassinato para saudar o novo presidente dos Estados Unidos, Lyndon Johnson ( Nixon esteve presente nesse jantar).

    Enfim, voce leu o Crime do Expresso do Oriente da Agatha Christie? Pois é, quatro apertaram os gatilhos mas os envolvidos são centenas que foram logo protegidos e continuam sendo até 2063 quando serão abertos os registros ainda secretos sobre o assassinato.

    Falando em moeda: por acaso voce já reparou naquele moeda de prata de half dólar que foi emitida em 1964? Ela tem a efígie de Kennedy. Repare na base do pescoço da efígie, com uma lente de aumento: você verá uma foice e um martelo. Quando a própria família Kennedy chamou a atenção para esse disparate, o Tesouro americano saiu dizendo que aquela marca eram as iniciais do autor do molde. Nas emissões seguintes, a marca, desapareceu. Há no Ebay ( www.ebay.com) várias dessas moedas que voce pode aumentar e ver.
    Caso não consiga, por favor me diga, que terei o máximo prazer em lhe enviar uma.
    Este meu email já vai longo demais para a sua paciência. Me desculpe. Começo a falar de Kennedy e abuso da paciência do meu interlocutor.

    Abraço grande, mais uma vez parabéns pelo seu Blog. Será sempre um prazer
    receber notícias suas. Moro em São Paulo, precisando de alguma coisa, por
    favor, disponha

    Eulalia

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  7. Respondendo ao GUILHERME AUGUSTO:

    Collor e seus mentores souberam aproveitar muito bem a frustração e a perplexidade populares ante a inesperada morte de Tancredo Neves, velho e alquebrado, caído na véspera de assumir o cargo e dando o governo, de mão beijada, a Sarney, que vinha de bons serviços prestados aos governos militares, já desgastados pelo longo tempo no Poder. E estes, apesar de haverem construído uma espetacular infra-estrutura de telecomunicações, haviam perdido, por descuido imperdoável, a batalha da comunicação, logo ocupada por adversários que passaram a demandar ‘eleições diretas’

    O povo, exaurido, seguiu a onda, pediu diretas mas só “ganhou” a presidência no Colégio Eleitoral... Ganhou, mas, como visto, não levou...

    Collor, homem Jovem e vigoroso, bem orientado pelos “conselheiros” do sistema de poder, “fez a sua hora”, no melancólico final do Governo Sarney.

    Aliou-se a um partido novo e de encomenda, sem passado criticável, e arrebatou o eleitorado com um discurso incisivo, supostamente patriótico (o ponto forte da época militar) decidido, que prometia combater o estado inchado (um paquiderme pesado e lerdo, como era caracterizado à época, justamente por ter sido o veículo usado pelos militares para conduzir o “Milagre Brasileiro”); as empresas do estado, muitas criadas no período pós-64, então transmutadas pela propaganda da oposição em símbolos da ineficiência, de altos salários e de cabides de emprego; os corruptos e os “marajás “ do serviço público, exatamente o discurso que as pesquisas de opinião, realizadas secretamente na época, mostravam que o eleitorado queria ouvir dos candidatos...

    O problema é que, como todos os demais, em todas as épocas, Collor teria que fazer o seu juramento de fidelidade às forças que o apoiaram e honrar a palavra empenhada.

    Com o tremendo choque provocado pelo seu contundente discurso de posse, em que anunciou medidas dramáticas, entre elas o fechamento de empresas estatais e outras jóias do aparato da administração federal, como a Interbrás, autarquias como o IBC, O IAA, a SUDENE, a SUDAM, etc., simultaneamente a um monumental choque na economia. Promovendo o congelamento dos saldos em conta corrente e a taxação extraordinária de ativos financeiros, ELLE deu um choque de intervencionismo maciço no Brasil, fazendo com que, pela primeira vez numa democracia capitalista liberal, ninguém possuísse mais do que cinquenta mil unidades monetárias no bolso ou na conta corrente... Nenhuma organização socialista ou comunista, dentro ou fora da “cortina de ferro”, havia conseguido, antes, tamanha proeza de dirigismo econômico; nenhum governante da história jamais assumira pregando uma abertura à economia de mercado e logo de cara, dera um golpe intervencionista tão forte e certeiro contra os recursos privados das famílias que, por tanto tempo, haviam repudiado o estatismo socialista....

    Despreparado, inculto, agressivo, quase desvairado, Collor renegou seus compromissos de sangue e passou a agir, depois disso, como se fosse o dono absoluto do país. Afinal, quem tudo pode, sempre pode um pouco mais...

    Fora de controle, logo passou a agir como se não devesse satisfações a quem quer que fosse e começou, com sua tropa de choque particular, a tentar construir um esquema de poder pessoal paralelo.

    O sistema de poder convencional, implacável, reagiu de pronto.

    Através da ação onipresente da mídia, o golpe de estado foi preparado com apuro e competência, dando-se ao povo a nítida impressão de que Collor cairia pela vontade absoluta dos “camisas-pretas”, que saíram às ruas em protesto contra o presidente.

    Começou, assim, o processo de impeachment e o Congresso, dócil, obediente ao “comando das ruas” (eufemismo para ‘ordens superiores’) fez o resto do serviço “democrático”...

    Mais um “golpe à brasileira”, leve, incruento, indolor. Afinal, aqui ainda não se mata os presidentes desavindos...

    Armindo Abreu

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